quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Resolvi falar [Parte 1]

Estou cansada.

Cansada da pressão do dia a dia e cansada de pensar na frustração de não passar na FUVEST.

Existe um aperto no meu coração... e vou contar um dos motivos:

Quando eu estava na 8ª série fiz cursinho para prestar o vestibulinho da CEFET e ETESP, estudei muito e encarava a pressão de passar como natural, mas as palavras das pessoas refletia o crédito que eu recebia. Todos acreditavam em mim. Não passei, nem em um, nem em outro... e por MUITO.

Depois disso, amarguei a vergonha e voltei a morar em São Paulo. Fui estudar em um colégio onde tive que aguentar resistência de muita gente (inclusive de professores).

Se não pode contra eles, junte-se!

Não me juntei!

Resolvi então prestar novamente o vestibulinho, mas agora para o Aprígio e me sujeitaria voltar um ano.

Passei! Não sei em que posição.

A felicidade de ter passado superou tudo? Não!

Mas eu passei.

Quando meu pai foi levar meus documentos, a secretária da escola não queria fazer minha matrícula, porque eu teria que voltar um ano.

Meu magnífico pai conseguiu que eu me matriculasse e conseguiu mais: ele me inscreveu em uma prova que me faria ir ao segundo colegial.

Ele me disse: "Vai lá! Fiz isso porque eu sei que você vai passar."

Passei. Na repescagem, mas passei.

E ele disse de novo: "Tenho orgulho de você"

No Aprígio eu aprendi mais do que matérias, aprendi que existem pessoas diferentes, e muitas vezes, muito diferentes.

Conheci pessoas que carrego no coração, e outras que eu aturo até hoje (rss) - aturo porque amo demais (isso é assunto pra outro post).

Tive momentos marcantes. Como não lembrar do meu primeiro dia no 2º ano? Ou do dia que eu briguei? Ou da primeira cerveja? Da cuba (mal feita pra caramba!)? Das músicas cantadas durante a aula? Ou do dia que a Marisa não deixou a gente entrar? Da guerra de aviãozinho? Do maluco professor de história? Do dia da formatura? Do prexede... Como não lembrar das amizades? E que amizades!

Foram tantos momentos que eu ficaria horas, e mais horas escrevendo e não caberiam em um post, nem em dois... apenas quem viveu sabe do que eu falo.

Enfim... voltando ao assunto.

No terceiro colegial, ano de vestibular, prestei o ENEM, e que tal 97 na redação e 95 na parte objetiva? Bom né?

A partir daí tive que encarar minha família dizendo: "você vai passar na FUVEST..." ou ainda, "minha filha vai estudar na USP"... e alguns ainda disseram "você tem que passar"...

Tive medo.

Era como se meu passado voltasse. A mesma pressão, as mesmas palavras, as mesmas esperanças.

Eu tinha prometido que passaria.

Na oitava série jurei a minha mãe que eu passaria. (entende porque não juro mais?)

No dia da prova...
Não fui!

Não saberia lidar com a decepção de meus pais, mais uma não.

Afinal aquele ano foi repleto de decepções.
Você sabe o que é ver seu pai chorando por você ter decepcionado-o?
Eu sei!

Sempre tive um sonho desde minha adolescência: estudar na USP.

E por covardia, ou algo do tipo, não fui à prova.

Lembro como se fosse hoje, cheguei à casa de minha mãe, exatas 17h...

"Zerei na prova"

Fui para o meu quarto, e me restou apenas uma coisa: chorar.


continua...

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